30.6.02

Tudo bem que a arte (?) imite a vida, mas tem gente assistindo muita novela. Depois, sai por aí comparando os personagens com as pessoas. Minha sorte é que não assisto esse tipo chicletão mental e acabei não entendendo muito bem o que o sujeito quis dizer a meu respeito. Só sei de uma coisa: se um oftalmologista não resolver o problema, com certeza, ele vai precisar de um psiquiatra.

29.6.02

Tô indo. Volto amanhã. E prometo não falar de futebol.
Scooby Doo, cadê você??

28.6.02

O abandono da cervejinha-minha-de-todos-os-dias está fazendo com que eu consuma, todas as noites, dois litros de água com gás. Notei que o hábito estava mais pra levantamento de latas e "engolimento" de bolhas que qualquer necessidade da minha (por que não dizer?) "flora estomacal". Pensei que fosse sentir falta do efeito Lexotan, talvez demorar um pouco mais para dormir, mas continuo do mesmo jeitinho, inclusive, acordando com muita sede (coisa que creditava na conta da cerveja). Mas acho que a minha tolerância diminuiu. A falta dos treinos diários me deixou mais sensível. Prova disso é que meu cérebro, hoje, amanheceu em estado gelatinoso.
O porre que eu prometi tomar ontem, eu cumpri. Pelo menos isso.
Salário na conta, resolvi fazer uma extravagância à vista. Quando o vendedor começou o questionário (CPF, RG...), não aguentei e repeti o que ele já sabia:
- Peraí, eu vou pagar em dinheiro!
- ...
- ...
- Endereço pra entrega?
Recebi uma carta (em meu nome) dizendo que a Dagmar Delavi (alguém faz idéia de quem é essa cidadã?) mudou de endereço. "No ensejo, informamos ainda que foi acertado com o gerente o estacionamento para freqüentadores do salão (...)".
Salão? Que salão? De beleza? De festa? What porra is that?

26.6.02

Hoje a aula foi recheada de expressões de baixo "escalão" (essa foi a primeira). O professor, numa metáfora de arrepiar, inventou a "flora estomacal". Pra fechar, em vez de fazer um protótipo, resolveu prototipar. Assim eu vou longe.

25.6.02

O jogo do Brasil é às oito e meia de amanhã e já tem um cidadão corneteando na minha orelha. Tudo bem, também sou brasileira, também sofro, mas precisa ser com tanta antecedência?
A carta à diarista ficou guardada aqui. Mas coloquei um bilhetinho na minha Grappa. Ela vai ler "Ahá!!!" quando abrir a tampa da garrafa. Será que vou ter que ser mais explícita?

24.6.02

Ótimo papo. E nada pacato.

23.6.02

Arrumando as coisas, descobri uma série de vícios da diarista que freqüenta a casa. Resolvi escrever uma carta...
Meu cotovelo está doendo, e não é de inveja. Hoje, finalmente, abri e arrumei as oito caixas que ainda jaziam no lugar do futuro sofá. E no sobe e desce com caixas, moí o cotovelo no corrimão umas três vezes. Agora já tem espaço pro sofá. Só falta o salário.

22.6.02

Mulheres, juntas, fazem estrago. Especialmente quando o prato principal é uma terceira.
Deusmeu, meudeus, como sou ingênua. O mundo é muito mais podre do que eu supunha.

21.6.02

Hoje eu fiz um arroz de cortar. Tá servido?
Decidi colocar um ponto final naquela pendência do plano de saúde, que eu protelava tanto em fazer. Como já tive um, queria repetir a dose. Depois de alguma conversa, descobri que meu ex-marido ainda paga o plano como se fôssemos casados e que, durante esses dois anos, eu estive coberta. Bem, mas meu nome voltou ao original e o moço disse que eu poderia ter problemas, já que meus documentos são da época de solteira, com exceção do passaporte.
- É só a senhora andar com a carteirinha e o passaporte.
- Andar com passaporte? Isso, só em NY. Prefiro fazer um novo seguro.
- Para isso, o titular tem que assinar um documento excluindo a senhora da apólice e...
- Quer dizer que, se amanhã ele estiver com raiva de mim, não posso fazer seguro saúde com esta empresa?
- ...
O vendedor do outro plano chegou, crente que resolveríamos o assunto em três assinaturas. Só não contava com essa minha mania de ler tudo antes de assinar. Já viu o tamanho de um contrato de plano de saúde?
Ela chega vagarosamente, arrastando os tamancos (cholect, cholect), com cara e postura de quem passou o dia carregando pedra. Seu ombro é caído e sua boca idem, como se estivesse zangada o tempo todo. Seu olhar tem algo de infantil. Mal dá boa noite e já emite alguma reclamação. Não consegui definir se é burra ou muito inteligente, feliz ou azeda. Come caspa. Isso mesmo. Passa a aula toda pinçando fios de cabelo com as unhas do polegar e indicador, da raiz às pontas, para, em seguida, levar o produto à boca. Daí o apelido: Caspita.
A Gama Filho aceitou indevidamente a trasnferência alunos de outra universidade e, agora, no último período letivo, obrigou-os a prestar vestibular (veja o absurdo) para validar o curso junto ao MEC. O concurso aconteceu no último domingo e teve gente que não passou.
Hoje, recebi, da Caspita, um e-mail sobre o assunto:
"Bom se alguém já teve a curiosidade de checar se passou ou não no vestibular, aconselho a verificar, porque eu mesma fui reprovada, portanto pesso a todos que vejam se passaram e se não passaram teremos que fazer algo a respeito porque afinal de contas já estamos dentro de uma faculdade incopetente"
Quase respondi, dizendo que quem escreve "peço" com dois "s", tinha mesmo era que voltar ao primário. Mas achei melhor ficar quieta, já que as universidades andam aprovando até analfabetos.

20.6.02

Empreendedorismo é SAPULECA.
Finalmente assisti à aula. Se o professor não me reprovar, ele muda de área.

17.6.02

Meu vizinho comprou um novo aparelho de som, só pode ser. Passei o final de semana sem nem pensar em escolher uma música, já que ele, solidário, quis dividir seus numerosos watts com todos. Minha sorte é que o fulano é eclético e, cá pra nós, não é tão ruim assim em suas escolhas. Se ele joga um pagode no meu ouvido, sou capaz de surtar.
Sexta-feira eu não deveria ter saído de casa: foram dois foras de proporções transamazônicas numa só noite.
Primeiro, na faculdade, quando resolvi fazer uma piadinha com a professora que queria marcar uma aula extra. Eu: "Se for com aquele bonitão que veio te substituir da outra vez, eu topo". Ela, azeda: "Meu namorado. Ele vai adorar saber disso."
Mais tarde, ao lamentar por uma amiga, que passou a noite inteira conversando com aquele MALA, e ouvir dela: "Mas ele é um baita amigão!".

14.6.02

Eu nunca vou entender o suicídio.
Dica do dia (já é dia)
Acabei de ler "Meu Sogro", lá nos 3 comuns. O máximo. Não perca
O primeiro cigarro me pegou desprevenida. Mal abrira o maço e já havia um isqueiro a queimar meu nariz. Cavalheirismo às favas, a cada cigarro, era obrigada a enfiar as mãos na bolsa (como quem procura um modess) pra tirar, de uma só vez, todos os apetrechos tabagísticos. Um descuido e lá estava o isqueiro, de novo, no meu nariz. Cavalheirismo, M., cavalheirismo, pensava eu. Ainda que me ache perfeitamente capaz de acender um cigarro, de buscar um chope no balcão, de abrir a porta do carro, sorria, conformada (até pneu eu troco, porra.). Mas, na hora do "ladys first", especialmente naquele lugar lotado, apelei, imperativa, no meu mais refinado carioquês: "Tu é bem maior que eu. Vai na frente e abre caminho".
Acho que acabei dando alguma pista de que estava inconformada com tanto cavalheirismo quando, parada em frente de casa, aguardando que o porteiro do prédio acordasse, às cinco da manhã, ouvi o motor do carro do cavaleiro roncando em disparada.

12.6.02

P-Ao p-con p-trá p-ri p-o p-do p-que p-pro p-me p-ti, p-fal p-tei p-na p-au p-la p-de p-em p-pre p-en p-de p-do p-ris p-mo p-ho p-je. P-Fui p-fa p-zer p-com p-pras p-pra p-não p-mor p-rer p-de p-fo p-me. P-Pi p-or p-que p-is p-so p-foi p-per p-der p-Os p-Nor p-mais. P-Mer p-da.
Ontem, cheguei em casa faminta e fui direto pra geladeira. Água, água com gás, duas latas de tônica da última visita, meia dúzia de limões velhos, duas bananas pretas, molhos de saladas de todos os tipos e dois vidros: um de picles, outro de azeitonas. Não consegui abrir nenhum deles.
Ivete Sangalo (argh) tem um lado romântico (argh ao cubo), eu vi na TV. Perdi o sono e deixei a maldita ligada. Os intervalos comerciais só falavam em dia dos namorados. Há 23 anos não passava um em branco. Camisa, perfume, isqueiro, camisa de novo, calça, sapato, relógio... Sempre fui pouco criativa. Este ano, além da criatividade, falta-me salário. Providencial.

11.6.02

A Rejane, enriquecendo meus nulos conhecimentos geográficos sobre o Rio de Janeiro, acaba de me apresentar à Zona Oeste. Se eu soubesse antes, não teria estranhado o fígado.

10.6.02

Hoje tô sem paciência. Fechei pra balanço. Amanhã eu volto.

9.6.02

Meu querido diário,
Hoje fui apresentada à versão Zona Sul do Piscinão de Ramos. Não que eu seja preconceituosa (é, acho que sou), mas aquela quantidade de vira-latas perebentos à nossa volta (cães de guarda, segundo C.) , me incomodava um pouco. Especialmente quando o cara do churrasquinho (sim, tinha churrasquinho) interagia com eles. "Paulista tem que experimentar fígado na brasa", foi a frase que me fez, imediatamente, virar vegetariana. Era o pessoal da "Grobo". Antônio Fagundes? Luiz Fernando Guimarães? Não. Figurante de mendigo. Isso mesmo. Já foi mendigo (e tinha cara mesmo) em O Clone, e vendedor de sorvetes no Casseta e Planeta (ou vice-versa).
Não bastasse essa diversão toda, ainda havia, no local, vários exemplares daquela espécime curiosíssima que você sabe que tem testosterona, mas jura que é pura progesterona. Corpos esculturais, rebolados magníficos e o pagode rolando solto.
Bom, despois de tudo isso, gente, eu mereço perdão. Quebrei a promessa: enchi a cara de cerveja. Era o que me restava.

8.6.02

Linquinho, grande figura que nunca conheci
Salas de bate-papo são sempre um grande filé quando a intenção é se divertir com os mais incautos. Éramos três. Sour (Lady), Ivich (eu messs) e Gimme (um louco que, ainda assim, não participa deste blog).
Ficávamos horas e horas falando muita merda (com o perdão da expressão grosseria) e aguardando a presença de um crédulo. A idéia era fazer o sujeito sair da sala por livre e espontâneo pavor (coisa que chamávamos de ACE). Quanto antes, melhor. Assustar com palavras não é das tarefas mais fáceis, então, apelávamos. Coisas como "Cospe ou engole, amor?" e "Não converse com Gimme, ele é um canalha", eram comuns. Inventávamos personagens traídos, ciumentos, infantis, possessivos. Agarrávamos nas pessoas, uns verdadeiros chatos.
E chegou uma época em que o grande barato era dar o telefone do Linquinho, um coitado, amigo do Gimme, que foi muito muito sacaneado.
Linquinho passou por gay, prostituto, galinha e, o mais comum, homem insatisfeito no casamento.
Mas a coisa foi perdendo força porque a sala em que entrávamos passou a ser conhecida como um point GLS em que os "habitantes" não eram lá muito hospitaleiros. Com o tempo, passamos a usar as agressões entre nós mesmos e isso causou problemas em família, como a mãe de Lady que nunca entendeu aquele "ela saiu, vamos meter a língua por trás?" e a mulher do Gimme, que quase pediu o divórcio diante de uma tórrida cena de sexo virtual entre ele e um tal de Meiguinho.

Por Lady e Marina
    Frases da semana:
  • Digito os asteriscos?, de alguém perguntando como preencher o campo senha.
  • Os mundos que estavam piscando sumiram., dia desses, ao tentar enviar uma URL via ICQ.
  • Espera, vou atender o interfone., de um internauta, que se dizia surdo-mudo.
  • Detesto o seu colar brega com medalhinhas de santo e crucifixo. Trecho de uma carta para alguém apaixonado.
  • Pior que encontrar um bicho na goiaba é encontrar meio..., de alguém inconformado.

7.6.02

Esta semana, dei um jeito de colocar de volta aqueles dois parafusos cuja falta ameaçava a estabilidade da minha mesa. Um por dia, lógico (debaixo da mesa é complicadíssimo!). Amanhã devo subir dois lances de escada com uma das oito caixas da mudança que ainda faltam pra arrumar. Existem ainda 19 quadros pra pendurar, duas tomadas pra consertar e um abajur pra trocar a fiação. Acho que preciso de um namorado.
Trago, cá pra fora, um comentário da Rejane de um post de ontem:
De perto ninguém é normal (mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é).
Me assustam aquelas pessoas perfeitinhas demais, limpinhas, bem casadas, com uma família equilibrada e filhinhos lindos e comportados. Sociáveis, risonhas, divertidas, inteligentes, impecáveis... ops! Peraí. Não dá para confiar em gente assim. Imaginem os podres de alguém que os esconde tão bem!
Cuidado com os perfeitos.


Esses dias, estava mesmo pensando nisso. Já passei bem perto de ter uma vida perfeitinha. Demorei a compreender (e aceitar) que não estava bem. Daí a assumir, outro parto: encarar preconceitos. Sim, porque homem, quando está sozinho, é livre. Mulher, é solitária.
Globo On Line: "Belo vai passar o final de semana na cadeia".
Por mim, envolvido no tráfico ou não, passava o resto da vida por lá. Era menos um pagodeiro pra estuprar os meus ouvidos. Aliás, ele merecia um Spa: "sparadrapo" na boca, que era pra parar de cantar de uma vez.

6.6.02

Ontem, o professor disse que sou "uma espécie de termômetro das aulas" e que me achou "meio tristinha". Tá certo, sou mestra em fazer cara de feliz, mas também não sou um poço de consternação.
E quem é que não tem tristezas? Culpas, lembranças, saudades, inseguranças, solidão. Convivo com todos esses bichos, luto contra eles e, por mais que me arranhem, sempre dou um jeito. Chorar pelos cantos não é comigo. Sou, essencialmente, alegre.
A corda anda bamba demais no trabalho...
Da média dos dez e-mails que recebo por dia, nove vão pro lixo sem nem mesmo serem abertos. O que sobra, em geral, é excluído antes do final do primeiro parágrafo. Mas, hoje, tive dois pra responder. Nem te conto...

5.6.02

Apesar de certo mau humor, tive disposição pra escrever sobre salas suspeitas.

Agora, yael, me conta das esdrúxulas...
Os 3 comuns se mudaram pra este prédio. Não consegui encontrar os comments por lá pra poder dar boas-vindas. Mas fica aqui o meu protesto sobre a perda dos textos sobre pombos, entre outros.
Ah, antes que eu me esqueça, Rê, Marineide é a comadre da sua madrinha!
O cabeçudo (não fui eu que inventei esse apelido, só adaptei) não apareceu pra dar aula de Empreendedorismo, portanto, fico devendo, pra semana que vem, contar do que se trata.

4.6.02

Pra fechar a noite, inventei uma passada pelo bate-papo:
(01:08:55) Fulano fala para Marina: tenho 27 anos, fica chateada por eu ser tão novo??
(01:09:15) Marina fala para Fulano: por que ficaria? Você não tem culpa...

Amanhã conto de minhas incursões por salas "suspeitas"...
Hoje teve reunião com a anta, onde expliquei umas três vezes a mesma coisa e acho que ela não entendeu. Na faculdade, a atividade foi contar bytes. E, agora, ao chegar em casa, me vejo dando conselhos amorosos a alguém que mal conheço. Dá procê?
Ah! Soube oje que aquele meu profeçor iguinorante que abuzava da fauta de concordânssia e de frazes sem verbo foi demitido da univercidade. Diceram que ele acinou a demição e çaiu chingando.
Nunca imaginei que aquela brincadeira de "limpa com jornal" pudesse, um dia, não ter sido piada e, não fosse história contada por minha avó, eu duvidaria.
Segundo ela, não só jornal, como qualquer papel que chegasse às mãos já tinha destino certo. Papel de pão, embrulho de compras, papel de escrita. Você recebia um presente, por exemplo, abria com todo o cuidado pra não rasgar o papel e ia guardando pra gastar na hora H. Creio que o único papel poupado era o moeda. Folhas (secas ou não) de qualquer espécie também eram utilizadas com tal fim. Em muitas casas, garantiu D. Luiza, nem banheiro havia. Um buraco no chão, muitas vezes um estrado de madeira sobre um riacho ou - pasme - sobre o chiqueiro!
Bah, chega disso. É muita escatologia pra um post só.
Geniais dois comments sobre o jingle do Primavera, da Kakatty e do Goiabão (perdoe, Ruy, não resisti, mas foi com carinho, juro).
Agora, na íntegra, a três (seis?) mãos:

Primavera, Primavera
Sou a menina Primavera
Meu papel é trazer pra vocês
O papel, o papel Primavera
Primavera é super macio
Primavera, papel primavera!

3.6.02

Estou em pó. Quase dormi nas barbas do meu chefe durante a reunião (sabe quando vc vai ficando vesgo, vesgo...?) e acabei despencando nas barbas do professor durante a aula de Linux. Mas o que resta de mim quer dar boas-vindas ao Moe à Li.



Amanhã, se a reunião com a vaca da simetria bilateral prejudicada não esgotar as minhas energias, volto pra contar o que descobri sobre a época em que não existia papel higiênico. É, meu caro, nunca me passou pela cabeça que a humanidade poderia ter vivido sem, no mínimo, um Primavera.



Primavera, Primavera / sou a menina Primavera...



Quem é que lembra (do resto) desse jingle?
Hoje quase liguei pra Lady pra pedir a gilete emprestada. Um garoto da minha sala disse, delicadamente, que eu o fazia lembrar de sua mãe. Cortar os pulsos? Os dele, lógico.